The Sunflowers banda

Numa mistura de riffs confusos, linhas distorcidas e energia electrizante, os Sunflowers chegam do Porto para nos contagiar com sons que mostram que o garage rock e o punk português ainda não morreram.

Plantam-se as sementes, colhem-se os Sunflowers

O duo Carlos Jesus (26 anos, guitarrista) e Carolina Brandão (25 anos, bateria) formou-se num projeto de folk que rapidamente se desenvolveu para o som indie-rock. Um projeto que sofreu com falta de músicos, o que forçou Carolina a adotar a bateria como instrumento principal, em detrimento da guitarra-baixo.

Ainda mais, a saída de um terceiro elemento do grupo fez com que a dupla questionasse o seu rumo e os seus objetivos. Foi apenas quando se cruzaram com o documentário sobre Los Saicos, os pais do punk nos anos 60, que perceberam que era esse o caminho para que queriam conduzir o seu trabalho.

Após já terem lançado 2 EP’s - Ghosts, Witches and PB&Js e s/t – Frederico Ferreira, elemento da banda 800 Gondomar, junta-se a Carlos e Carolina como baixista e, em 2016, lançam o albúm The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy.

Principalmente com este álbum - que reforçou o sucesso começado com o tema Mama Kim do EP anterior – se afirma o reconhecimento dos Sunflowers, realizando concertos de Braga a Évora e atuando também em palcos internacionais em Liverpool, na Alemanha, em Espanha, França, entre outros que fizeram parte das já três tours internacionais.

sunflowers banda

Os Sunflowers contam com o apoio de uma editora francesa e de uma editora no Reino Unido, o que lhes tem proporcionado um contacto cada vez maior com os públicos destes países, que contam já ansiosamente com o seu aguardado regresso.

Já crescidos

Absorvendo referências de todo o lado, nomeadamente literatura, cinema, outras bandas com que se identificam, procuram transpor o que vão reunindo para o seu trabalho, que beneficia também da forte química que a banda tem.

No seu processo de composição demarcam-se pelo improviso e pela experimentação dos vários sons que vão juntando, moldando, esculpindo dando origem às músicas que vão apresentando ritmos diferentes ao longo do seu desenvolvimento, culminando sempre num ritmo electrizante.

É também esta energia que nos apresentam em palco e que transmitem para o público, fascinando até quem (ainda) não os conhece. Mantém o gosto por tocarem em cidades pequenas, onde sentem com maior proximidade o agradecimento e felicidade do público em terem a banda a tocar para eles.

A banda que nos oferece uma original roupagem ao rock e punk português, demonstra em cada albúm e EP um processo de fruição musical que nunca queremos que acabe e que muitas vezes nos apresenta um trabalho final muito diferente do que foi primeiramente concebido, de que é exemplo o tema Post Breakup Stoner que começou por ser uma música sobre a série Breaking Bad e acabou por ser algo completamente diferente e até um dos trabalhos mais conhecidos de Sunflowers

 

Quanto ao seu lugar no panorama musical português, contam-se as dificuldades iniciais, o trabalho de distribuição e produção por parte próprios artistas, as tours que os fazem lidar com longas autoestradas e mudanças de língua 5 ou 6 vezes. No entanto, demonstrando resiliência e um enorme gosto no trabalho que foram produzindo, aceitaram os desafios e são hoje apoiados por um público consistente e convidados a atuar em diferentes espaços, dentro e fora de Portugal, encontrando o ponto ideal entre trabalho e diversão, conhecendo novas pessoas e novos locais.

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E a viagem não acaba...

Lançaram a 7 de fevereiro o seu novo albúm Endless Voyage, mais conceptual, com duas facetas muito diferentes - uma faceta já conhecida do som dos Sunflowers, mas com uma sonoridade um bocadinho diferente, dado que também foi o primeiro LP que gravaram com Fred. Isto possibilita, através da presença do baixo, que as músicas tenham uma profundidade diferente.

sunflowers banda sunflowers banda

 

E também uma faceta um bocado mais eletrónica, produzida com a ajuda de sintetizadores, procurando a banda arriscar e, em suma, esperar que o público lhes dê um bom feedback.

Começaram por fazer um EP, que gravaram em Arouca, num estilo improvisado, e desde logo sentiram que poderiam fazer um albúm nesse seguimento. Combinando músicas mais calmas no teclado com músicas mais “a abrir”, chega-nos Endless Voyage que segue a história de uma entidade chamada Studio Master que controla a humanidade através das máquinas e que nos faz aceitar esse estado, em que percebemos que estamos a ser controlados e que se calhar estamos a tornar-nos iguais à máquina, ou que somos a máquina mesmo.

É uma história abrangente, que não entra em muitos pormenores permitindo que as pessoas consigam escrever as suas histórias por cima. A banda conta-nos que ao mostrar o disco a amigos que já tinham conhecimento desta história base, que estará descrita na própria capa do vinil, eles acabavam por ter diferentes interpretações das músicas e até construir narrativas diferentes.

Sobre o novo álbum, o grupo deixa a mensagem: “Nós fazemos o caminho, agora tu escolhes como percorre-lo.”

Com tour já marcada para Portugal, de 14 de fevereiro a 21 de junho e passando também por contextos internacionais durante os meses de Abril e Maio, aguardamos desejosamente o regresso de uma das bandas que mais tem revolucionado o horizonte da música portuguesa e deixado a sua marca indelével nesta nova geração de artistas musicais.

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Podes ouvir Endless Voyage completo no Spotify.


Perfil traçado por Carolina Chora Alves, Daniel Moura Borges e José Pedro Horta. Fotografia por Rita Brandão, Vasco Cavalheiro e Renato Cabral, por ordem.

20 de Fevereiro de 2020