querubim música

Bateria a 120 BPM, guitarras melódicas, sintetizadores etéreos e energia que sabe a dias de Verão com uma brisa fresca a passar.

Desde a juventude

Rodrigo Cardoso é Querubim e apenas com 20 anos já demonstra o talento e a paixão pela música que de certo farão o seu futuro promissor.

Com apenas 10 anos recebe a sua primeira guitarra no Natal e, apesar das aulas que ainda duraram 3 anos, o entusiasmo não era visível. Acabou por sair, por esquecimento da mãe em tratar da renovação de inscrição e por esquecimento propositado de Rodrigo em avisá-la.

Apesar de não ser o maior apaixonado por tocar covers, era-o para pegar na guitarra e “sacar uns sons”, como o próprio descreve.

Esta dedicação e algum dinheiro extra, levaram-no, com 16 anos, a comprar um teclado para ligar ao computador e um interface.

querubim artista
querubim artista

Em tom de brincadeira, foi experimentando novas batidas, gravando e compondo, chegando a gravar músicas pensadas para serem tocadas em banda. Músicas estas, já prontas, que acabava por não revelar nem partilhar por timidez.

Em 2018, escreveu Epifania, o seu primeiro trabalho que lhe despertou a vontade de partilhar o que compunha. Em 2019, já no primeiro ano da licenciatura de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, começou a partilhar os seus trabalhos com alguns colegas, que aprovavam e elogiavam o seu trabalho.

2019 foi um ano muito importante para Querubim. Foi um ano de conquistas, de partilha e de bons momentos. Foi o ano em que conquistou a menção honrosa no concurso Novos Talentos FNAC, chegou à final do Concurso de Bandas NOVA Música, tendo sido esta a ocasião em que atuou ao vivo num palco pela primeira vez, sob o nome Rodrigo Cardoso e em que reuniu a banda atual pela primeira vez também.

Com que banda?

A banda atual ,composta por Ricardo Barroso, Francisco Cardoso e António Fortunato, reúne três dimensões da vida de Rodrigo Cardoso.

Conheceu António Fortunato na escola básica, quando caminhavam juntos até casa, no 6º ano. Sabia que António tocava guitarra e, apesar de precisar de alguém para o baixo, falou com António e este aceitou o desafio, acabando por gostar bastante de tocar este instrumento.

Francisco Cardoso é uma cara familiar já desde 2016, quando se conheceram através de uma amiga, apesar de terem reforçado o laço de amizade em 2019, no Festival Vodafone Paredes de Coura.

Ricardo Barroso é uma amizade fruto da admiração de Rodrigo pelo seu trabalho e pela mais tarde constatação de que este também andava na licenciatura que hoje frequenta.

Rodrigo relata-nos o peculiar momento em que, num certo dia no pátio da FCSH, ouve uma voz que lhe é familiar a atuar. No final da atuação, acaba por lhe perguntar “Não tens uma canção chamada Há Demasiadas Marias?” e daí ficaram amigos, acompanhando de perto o percurso musical um do outro.

 

querubim artista

Apesar de Rodrigo Cardoso ter atuado, inicialmente, no Concurso de Bandas NOVA Música com outros elementos (Fábio Duarte e Bernardo Melo), é com Francisco Cardoso, Ricardo Barroso e António Fortunato que hoje partilha o seu trabalho, ao compor e ao atuar.

O processo do indiepop

“Quando estou a produzir sinto-me completamente submerso e até ocupado, sensação que eu não encontro em mais lado nenhum. É ao ponto de quase me esquecer que existo , naquele momento aquilo é o meu propósito. Só encontro esta sensação na música.”

No seu trabalho marcado por guitarras melódicas e sintetizadores etéreos, destaca a forte influência de Ducktails, projeto musical de Matt Mondanile, e Real Estate, banda do mesmo artista, tentando nas suas primeiras músicas replicar um certo imaginário que estas sonoridades lhe trazem.

Numa procura de sons que o agradem, durante a composição de novas músicas, é já hábito o instrumental formar-se primeiro, para então depois vir a letra, como que num “derramar de consciência”, sem antecipar um tema ou uma composição textual.

Na inevitabilidade de fazer algo que também agrade ao público, Rodrigo nunca esquece as suas bases, relembrando-se que apesar de estar muitas vezes orientado pelas expectativas dos outros, não deixa que isso seja o único combustível para o seu processo criativo, tentando sempre voltar ao que inicialmente era o seu trabalho, a paixão por compor no seu quarto, fazendo as suas músicas e desfrutando da sensação de imersão que só na música encontra.

Apesar dos vários concursos e concertos que já deram bastante reconhecimento a Querubim, nomeadamente a mais recente inclusão da faixa “Jardim da Luz” no CD “Inéditos Vodafone” (2020) e a atuação no ADSUMUS, no casino do Estoril, o destaque ao longo do seu percurso vai para o concerto no Tokyo, em Lisboa, em 2019.

 

querubim artista

Neste concerto sentiu o culminar do à vontade que já sentia em palco, o acolhimento dos fãs e do próprio espaço à sua música, o entusiasmo e euforia da banda, consonante com o do público. Tudo fez deste concerto um momento que até agora ainda não conseguiu replicar.

Para além desta experiência, denota também as alegrias que a composição de certas músicas já lhe trouxeram, nomeadamente a ‘Toca e Foge’ e a ‘Jardim da Luz’, ambas já com videoclipe disponível.

Saber Estar

querubim artista

No meio, encontramos “Interlúdio”, a única faixa inteiramente instrumental do álbum, que parece fazer de forma bastante natural a divisão do álbum e passagem de uma parte para outra.

Apesar de não ter planeado esta divisão ao compor as canções, foi no planeamento do alinhamento que se deu conta que faria todo o sentido ser assim apresentado.

Com a mais recente soma de Metamito à banda com que atua, ficando este na parte de sintetizadores, vemos nascer uma vertente Querubim mais experimental e inclusivamente com músicas já gravadas, como ‘Homem-Lebre’, que teve oportunidade de tocar ao vivo pela primeira vez no ADSUMUS.

Para um futuro mais distante ficam as incertezas que este período nos traz, mas ficam também os desejos de fazer mais, de continuar a produzir, a trabalhar, a submergir no universo Querubim e a fazer nascer novas músicas que nos aquecem em dias frios e nos refrescam em dias quentes, parecendo sempre perfeitas para qualquer estação do ano.

 

Lançado no dia 10 de Novembro, “Saber Estar” veio para nos surpreender, alegrar e consolidar Querubim, contando com a faixa Reverie, a canção preferida do autor ao longo de todo o seu percurso enquanto músico

“É para se ouvir, é para desfrutar”

Estas são as palavras de Rodrigo Cardoso ao descrever este novo albúm.

Apesar das dificuldades no que toca a gerir expectativas ao longo de todo o processo desde a ideia de fazer um albúm até à sua efetiva distribuição, as questões e inseguranças que por vezes pareciam emergir no seu pensamento e até o ter que atrasar o lançamento do álbum devido à pandemia, que estava planeado para Março de 2020, Rodrigo Cardoso não poderia ter feito um melhor trabalho, encontrando-se bastante satisfeito e entusiasmado com “Saber Estar”.

Relata que a primeira parte do álbum é “mais soft”, mais leve, mais perto do que já fez até agora.

Já a segunda parte, parece comunicar-nos com bastante mais energia, mantendo-se, no entanto, coerente com aquela que é a identidade de Querubim.


Podes ouvir Saber Estar completo no Spotify.


Perfil traçado por Carolina Chora Alves, Daniel Moura Borges e José Pedro Horta.

10 de Novembro de 2020