papercutz banda

Com o albúm King Ruiner, :papercutz remistura a música pop de sonoridades sombrias com as influências da música global que nos trazem um sentimento de escapismo e de imersão únicos.

A sua grande paixão

Como muitos adolescentes, Bruno Miguel Pereira Pinto, agora com 35 anos, teve um banda de garagem. Foi assim que começou aquela que seria a sua carreira profissional e a sua grande paixão

 

Mas foi apenas em 2008 que decidiu assumir :papercutz como o seu projeto principal que, na altura, já contava com uma demo e um futuro promissor. Nesse mesmo ano, o projeto lança um albúm para uma editora canadiana, Lylac, e um single em Portugal, Ultravioleta, através dos Novos Talentos Fnac.

Contando com formação universitária em Informática, não se especificou em nenhuma área da música, o que acabou por ser uma vantagem para o seu projeto. Como produtor, conhece diferentes características dos instrumentos e acumula diferentes experiências, através de songwritting camps, onde contacta com diferentes artistas que trabalham em diferentes géneros musicais, que conjuga plenamente com as aulas que já teve de piano, de produção e com as diferentes influências mundiais com que vai contactando no seu percurso.

Num fase em que procurava uma vocalista para poder expandir o seu projeto, cruzou-se com Melissa Veras, que lhe foi recomendada por contactos próximos.

Desde aí que o trabalho com a voz feminina foi algo que o interessou, característica despertada aquando da remistura que realizou para os peixe:avião, onde trabalhou com Ana Deus, vocalista do grupo musical. Apercebeu-se da elasticidade, da dinâmica e da musicalidade que apenas na voz feminina encontra e desde aí que estas características têm sido o contraponto perfeito para o lado mais denso, misterioso e escuro das suas remisturas, o que lhe traz resultados bastante interessantes.

No seu projeto já contactou com diferentes vozes femininas, que trazem uma sonoridade e vibe diferente a cada albúm, nomeadamente Catarina Miranda, Emmy Curl, Ferri and Lia Bilinski.

Música de Fusão

Com um pé no passado, mas os olhos postos no futuro, tem como referências musicais Björk, que denotamos nas melodias instrumentais em que :papercutz se dilui; Ryuichi Sakamoto, pianista japonês de referência, conjugados com a inspiração para o futuro que Charlie XCX, artista da pop britância, lhe traz.

 

Na lírica, denuncia a forte influência de The Cure, especialmente em Desintegration, que transmite uma mensagem de nostalgia e de que apesar das coisas terem um percurso atribulado, o desfecho é sempre positivo, mensagem que está presente nas linhas narrativas que o projeto produz nas suas músicas.

É na música de fusão que :papercutz aposta. Num futuro da música demarcado pelo fim das barreiras culturais, pelas influências de várias partes do globo, com um novo olhar para o mundo como um todo.

Tentando sempre agradar-se a si mesmo, em primeiro lugar (o que revela nem sempre ser fácil), vê na música um escape muito grande.

Desde adolescente que vê na música mais do que um projeto ou trabalho e é isso que tenta transmitir com :papercutz. O seu propósito não passa pelo reconhecimento, seja no contexto português ou internacional, mas sim pelo impacto que a sua música poderá ter na vida de alguém, não olhando a públicos específicos. Pretende sempre que a sua música seja uma forma de catarse para o ouvinte, tal como foi para ele, o que também condiz com a sonoridade de escapismo que injeta nas suas melodias.

Daydreaming

Para a produção dos seus temas, gosta de conjugar uma ideia pré-definida com a fruição que a própria composição lhe traz.

E é a partir desta base experimental que sente que a identidade de :papercutz tem variado, não se deixando fixar num único género musical, mas fluindo entre vários, sem deixar de lado a ideia que tem do seu trabalho como uma forma de daydreaming, de contemplação.

Apesar das dificuldade que encontrou em Portugal por não trabalhar com sons a que o público nacional estivesse culturalmente habituado, acabou por encontrar um grande futuro a nível internacional, contando com várias digressões na Europa, actuações dos EUA à Islândia e com atribuições de prémios que lhe trouxeram apoio e motivação para continuar a expandir o seu projeto, destacando-se o The People's Music Awards.

 

Com o contacto inicial do seu publisher, dispõe já de duas extended japanese editions, que são um primeiro passo para a realização do grande sonho que tem em fazer uma digressão completa pela Ásia.

King Ruiner

Com o novo albúm, demarca os sons de outras geografias, desde a influência de coros africanos, de novas percussões, de melodias e sonoridades asiáticas que funde de maneira perfeita, não se notando claramente o som de cada uma destas influências, mas sim criando uma nova sonoridade homogénea.

Com o cancelamento de concertos ao vivo após o lançamento do novo albúm, Bruno encontrou novas e criativas formas de não deixar o seu trabalho estagnado, através do trabalho colaborativo com outros artistas, que interpretarão os temas de :papercutz de forma única e exclusiva, projeto que sairá brevemente numa edição própria e também pelo meio de novos moldes de divulgação do seu trabalho através da internet.

Com uma digressão pendente na China, espera que as coisas retomem ao normal, apelando a que todos os artistas consigam ultrapassar estes tempos difíceis e que o façam de forma criativa, descobrindo a melhor forma da música sair íntegra deste período de crise que se avizinha.

 


Podes ouvir King Ruiner completo no Spotify.


Perfil traçado por Carolina Chora Alves, Daniel Moura Borges e José Pedro Horta. Fotografia por Papercutz e Associados.

20 de Junho de 2020