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Os Moderados

João Granola

01. Noites Brancas

«Com o título roubado ao famoso livro de Dostoiévski, a canção que abre o álbum dá o mote sobre do que o mesmo vai tratar, liricamente. É sobre o fio que se segue, independentemente dos desvios mais ou menos acentuados de cada um. É também sobre o conhecimento coletivo sobre o que é a vida e sobre o que é suposto que ela seja. Por fim, é também sobre ser-se resiliente. Há sempre um dia a seguir e parar é uma impossibilidade. O Corpo já sabe, é preciso que a mente também não se esqueça…»

02. Uma Qualquer Razão

«Agarra o testemunho que a canção anterior lhe entrega. Uma canção sobre deixar andar a vida, sem prensar muito nela e, muito importante, sem deixar que isso seja um problema. É uma observação sobre a confiança das pessoas no conhecimento coletivo (in)consciente. “Se toda a gente o faz, deve haver qualquer razão”

03. Os Moderados

«“Também há fogo em quem vai no pelotão”. O facto de se seguir um caminho conhecido, reconhecido e que toda a gente parece seguir, não significa que uma pessoa não tenha todos os processos individuais, inatos ao Homem, a decorrer dentro dela. Esta foi a primeira canção escrita para este álbum e foi aqui que tive a certeza que queria escrever sobre este assunto. É a canção-âncora!»

04. Lugar-comum

«“Lugar-comum” foi escrita e acabada num processo muito rápido. Invulgarmente rápido. Depois de se ter adicionado 3 camadas de segurança sobre a ideia de solidez num caminho, esta canção pretende abanar um pouco as estruturas. Passar pela “casa” do lugar-comum parece-me que calha a todos, algures na vida e todos duvidamos se estamos a fazer a coisa certa, no tempo certo. Também me parece inevitável que qualquer pessoa que chegue a velho se arrependa de ter ou não ter feito determinadas coisas. Envelhecer é belo e cruel. Que seja mais belo do que cruel!»

05. Meia Luz

«Canção escrita depois de uma conversa com um amigo meu sobre os diferentes pontos de vista sobre as alterações climáticas e a forma avassaladora como os seus defensores se confrontam. É muito curioso ver a falta de tolerância de parte a parte quando, na realidade, a grande maioria não parece munida de grandes argumentos para debater construtivamente. O tema que originou a escrita desta canção foi este, mas na realidade, as discussões rápidas que temos numa era onde se fala muito, mas se conversa pouco, parecem-me seguir esta linha, independentemente do tema em discussão. Aprofundar um tema demora e custa. A vida da maioria não parece estar para isso…»

06. Mãos de Ouro

«Canção mais dura que que nasceu numa altura em que andava ouvir muito Laura Marling. A canção teve primeiro a sua parte instrumental acabada, antes sequer de me debruçar sobre a letra (normalmente, é ao contrário). Nessa altura, a canção era então um dedilhado acústico com um feeling muito suave. Quando comecei a escrever a letra e conclui a sua primeira versão, percebi que a atmosfera criada pela guitarra estava dissonante (no que de mau isso tem) com a mensagem que queria passar. Aí, troquei a acústica, pela elétrica e liguei a distorção. No final da versão que acabou por ficar no disco ainda se vislumbra o feeling acústico da primeira versão desta canção. A letra é dura e é sobre a forma como a realidade sempre se assume de forma inequívoca, dominante e, por vezes, cruel.»

07. Problema de consideração

«Outro momento para abanar a estrutura da narrativa. Uma canção sobre não haver manuais de instruções para se viver a vida e sobre aceitar a vida que o destino, nós ou qualquer outra força nos impinge. Com arranjos rock, esta canção é um pontapé na toada acústica do álbum.»

08. Ninguém viu como se faz

«Esta é a canção que acaba o álbum e não queria acabar com um tema que agarrasse as pontas, mas sim que sublinhasse as principais perguntas do álbum: Então porquê a moderação? Como se faz? Porque se faz? Sendo uma reflexão sobre as características e o modus operandi dos moderados, o que os leva a ser como são? Não sei. É importante entender? Não. Embora toda a gente o faça, ninguém sabe, exatamente, como se faz. É inato. Vive-se.»


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