manoamanobanda

Uma dupla unida por laços sanguíneos, que se expressa alto e bom som pelas cordas da guitarra, com três volumes da sua discografia lançados, todos intitulados “Mano a Mano”, sendo o último uma produção de 2019.

Manos

André Santos nasceu no Funchal, em 1986. Iniciou o seu estudo do Jazz em 2005 na Madeira, que o levou à Luiz Villas-Boas Jazz School, em Lisboa e mais tarde ao conservatório de Amsterdão. Fez tour e gravou com Teresa Salgueiro e lançou o seu primeiro álbum em 2013, intitulado “Ponto de Partida”. Fez intercâmbio para Filadélfia em 2015. Em 2016 lançou o seu último álbum a solo, “Vitamina D”.

Bruno Santos, nasceu na mesma ilha, antes do seu irmão, em 1976. Estudou na escola de Jazz do Hot Clube de Portugal e integrou a Big Villas Band. Guitarrista, compositor, professor e diretor pedagógico da Escola de Jazz Luiz Villas-Boas, dirige o Septeto de Jazz do Hot Clube de Portugal. Editou o seu primeiro àlbum em 2005, intitulado Wrong Way. Desde então produziu mais 3 álbuns a solo, o último é o “Caixa de Música” de 2013.

As saudades da Madeira

Apontando para a forte presença do jazz na Madeira, os irmãos recordam uma “geração de ouro” encabeçada por Max, e da qual também faziam parte Carlos Menezes, pioneiro da guitarra elétrica que dominava o instrumento e a linguagem Jazz, o pianista Hélder Martins, excelente instrumentista e compositor e também outro pianista e compositor, Tony Amaral, entre outros.

O tema “Noites da Madeira” é uma homenagem direta a esses artistas. Bruno aprendeu tudo sobre jazz e música na Madeira, descobrindo anos depois a riqueza dos instrumentos tradicionais da ilha, como é o caso dos cordofones, a braguinha e o rajão.

André introduziu estes instrumentos na sua tese de mestrado em 2015, integrando-os na sua música e passando esse interesse ao seu irmão, chegando mesmo a oferecer-lhe um rajão. Em casa é onde fazem a sua arte, todos os seus discos foram gravados na Madeira, “Vamos lá de propósito para gravar”. Contudo, as saudades apertam e os artistas fazem o seu melhor para voltar à ilha, aproveitando para tocar lá e tentar passar lá tempo quando podem.

 

Mano a Mano banda

Raízes

Com um início casual e descontraído, como seria normal no contexto familiar, os irmãos recordam terem começado a tocar juntos por diversão, definindo um contorno mais sério ao projeto a partir de 2014, assumindo o duo como um projeto a longo prazo e com uma preocupação mais profissional.

Duas mentes e muita anatomia no processo criativo desta dupla. Nas palavras de André, “um traz uma ideia, já com cabeça, tronco e membros. E juntos vamos construindo e experimentando. Às vezes pomos a cabeça onde estava o braço ou alongamos o tronco. Há sempre ajustes quando experimentamos em conjunto.” O improviso, memorização por ouvido e composição são feitos à antiga, mas sempre com a contribuição de ambos.

 

O primeiro álbum surgiu apenas com ajuda externa, os artistas utilizaram o crowdfunding para financiarem a produção, sendo na altura uma ideia de André, que viu o método funcionar para outros, confiando que resultasse também para a banda. Acabaram por ultrapassar o valor inicialmente pedido e lançar o Volume 1.

Irmãos Modernos

Apesar da tenra idade da banda, os irmãos contam com muita experiência individual, o que ajuda na produção musical. Chegaram até a gravar discos no espaço de um ou dois dias no estúdio de Paulo Ferraz. Surge então toda uma panóplia de amigos que ajuda desde a marca gráfica da banda até às viagens.

As influências são muitas. As suas músicas inspiram-se em “Super Mário”, e na Madeira. Os irmãos não deixam de revelar também a grande apreciação pelo tema “Stardust” de Nat King Cole, que tocam em versão acústica nos concertos.

 

Entre gravar e criar novo conteúdo, ou tocá-lo e dá-lo a conhecer ao mundo, os Mano a Mano sentem-se em casa seja como for, com uma ligeira preferência para a adrenalina de tocar ao vivo. Entre muitos concertos na história da banda, os artistas destacam o Festival Bons Sons, tal como as suas atuações no “mítico” Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal.

Viajando pelo mundo com a sua música, por lugares como a América do Sul, Luxemburgo e Espanha, revela-se fundamental para que haja uma grande aceitação e validação internacional da sua música, reconhecendo que joga a seu favor a natureza puramente instrumental da sua arte. Os cordofones são sempre um destaque nas suas atuações, pelas palavras de Bruno, “personaliza a nossa música e desperta curiosidade em quem nos ouve.”

Quanto ao futuro da banda, o melhor é deixar os artistas responderem: “É editar Volumes tipo enciclopédia. Só para quando nos obrigarem! Mano a Mano é até um de nós cair para o lado. Tudo começou como um duelo. Assim será, até um ceder. Continuar em força!”


Podes ouvir Mano a Mano, Vol.3 completo no Spotify.


Perfil traçado por Carolina Chora Alves, Daniel Borges e José Pedro Horta. Fotografia por David Cachopo

20 de Dezembro de 2019