LaGardère banda

O projeto musical conhecido por LaGardère tem a cama feita com o lançamento de No Lugar do Fim do Mundo (2018). Mais recentemente, os seus singles Seja Como For e Bianca Dali têm causado sensação na cultura musical portuguesa. A banda, ainda em ascensão, planeia lançar um novo disco pelo fim do ano.

A música

Se a música portuguesa pode por vezes saturar o elétrico pop que surgiu com o virar da década, dá-nos também a conhecer a inovação e experimentação de uma forma única e surpreendente. É este o caso com a constituição e evolução dos LaGardère.

O grupo composto por Carlos Noronha (23 anos, Vocais e Guitarra), João Sampayo (23 anos, Guitarra Baixo), e Yann Vaz da Silva (25 anos, Bateria) lançou o seu primeiro disco, intitulado No Lugar Do Fim Do Mundo, em 2018. Composto por uma multitude de singles gravados ao longo de 6 meses, a sua composição começou com a gravação de Tucano e foi evoluindo com a sucessiva produção dos restantes temas.

A banda esteve presente em diversos estúdios na capital, incluindo no Estúdio do Ás de Espadas e na Poison Apple Studios.

LaGardère banda
LaGardere banda

Torna-se então surpreendente que um disco composto de tantas partes diferentes demonstre a harmonia temática e instrumental aqui presentes. O álbum lucra pela sua diversidade e por fugir às normas do pop português, enquadrando-se numa vertente de pop tropical, que retira as suas influências da world music e da cultura brasileira.

No entanto, é nos singles que os LaGardère mais ganham. Em 2019 o grupo lançou já dois: Seja Como For, um stand-alone que fica no ouvido e não sai mais, e Bianca Dalí, um cheirinho do álbum prometido para o fim do ano. Estas duas faixas estão já entre as mais reproduzidas pelos fãs.

Quanto ao novo álbum, a banda promete mais calma e considera a experimentação com novos instrumentos. Guiados por Bianca Dalí os fãs podem esperar mais pop tropical à LaGardère.

Os membros

O trio age como toca: de forma única e carismática. Acentuando a sua personalidade única estão as camisas tropicais e os cocktails desproporcionalmente grandes que levam ao palco para brindar com a multidão.

Têm mais de 30 concertos tocados em Portugal continental em pouco mais de um ano, incluíndo venues na capital como o Sabotage Club, o Titanic-sur-mer, a Casa Ardente e o Teatro do Bairro.

Sendo naturais da zona de Lisboa, João e Carlos conhecem-se desde infância. Introduzidos no contexto musical português através de pequenos projetos musicais, seguem os seus próprios caminhos e entram em contacto com outras personalidades que integram grupos que conhecemos como GANSO ou Reis da Républica.

É precisamente através de João Sala dos GANSO que se apresentam Carlos e Yann, fundamentando o que depois vem a ser a ideia dos LaGardére. O impulso final será com o encontro destes no Bairro Alto, que desencadeia a gravação dos primeiros singles. Afinal não haveria outra forma de começar uma banda tão elétrica.

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Os três amigos contam ainda com a ajuda e apoio de André Mâncio para a gravação do álbum e dos singles. A sua presença é notada no violino de Seja Como For e em diversas percussões presentes em No Lugar Do Fim Do Mundo, tendo sido fundamental para a sua produção.

Como trio recentemente formado os LaGardère apresentam bastante potencial, no entanto a banda sofreu alguns precalços: por um lado a falta de baixista implicou a transição de João Sampayo para a guitarra baixo. Por outro lado a falta de pianista força o grupo a contratar pianistas profissionais para concertos e gravações. Contudo, há males que vêm por bem e estes precalços fazem parte do som único dos LaGardére.

Influências e inspiração

«Henri de Lagardère nasceu em Zurique em 1898.» assim começa a biografia da banda que entre metáfora e mito conta a história de um músico em desespero, que viaja para o Brasil e aí passa a sua vida, acabando por morrer em Lisboa após uma atuação no Hotel Sheraton em frente de Carlos, Yann e João.

Se a personagem se refere ou não a um músico real não é importante. O mito continua a ser mito e as personagens que este encontra (Camila Casali, Amiguinha e Malandro) fazem parte do imaginário dos LaGardère. Clara está a influência do Brasil e da world music nas temáticas e nos instrumentais concebidos pelo grupo, que mantém no entanto os pés bem assentes em Portugal.

Assim os temas compostos hoje saem de uma espaçosa sala em Picoas, na casa onde mora Yann. A inspiração deriva de todas as experiências que por aí passam, quer de imigrantes que partilham a casa e que auxiliam a composição dos temas (com direito a presença nos videoclips), quer das experiências dos próprios e do seu contacto com a música étnica e a música experimental.

Como influências citam toda uma panóplia de artistas portugueses contemporâneos e já reformados, mas garantem especial relevância à música de Elza Soares. Em última análise é o que destaca os LaGardère na cultura musical do pop português. A necessidade de sairem fora da caixa e fundirem a música portuguesa com música étnica de forma elétrica.

 

É essa energia elétrica que se vê em concerto e que se aprecia na sua performance. No fundo são uma banda que se destaca ao vivo e que vive para se destacar. São uma presença tropical num país históricamente conservador.


Podes ouvir No Lugar Do Fim Do Mundo completo no Spotify.


Perfil traçado por Carolina Chora Alves, Daniel Moura Borges e José Pedro Horta. Fotografia por Gonçalo F. Santos

9 de Julho de 2019