gator, the alligator banda

A nova geração de Barcelos estreia Gator, The Alligator por todo o país – e até fora. Os quatro amigos que formam o grupo tomam a forma de um jacaré hiperativo, que oscila entre o predador e o animal de estimação.

A evolução do jacaré

Todas as boas histórias precisam de um narrador, e quem melhor para narrar as aventuras de uma banda de garage rock psicadélico que um jacaré hiperativo ‘pronto para soltar descargas elétricas em forma de ondas sonoras’?

A personagem, o famoso Gator, passa por mascote, personagem principal e narrador das histórias contadas pela banda num tom eletrificante. É de certa forma também um alter ego para a personalidade do grupo, como descrevem os membros.

Tiago Martins (24 anos, voz e guitarra), Eduardo da Floresta (23 anos, guitarra) e Ricardo Tomé (25 anos, baixo) fazem da sua profissão o design gráfico. Filipe Ferreira (25 anos, bateria) estuda as artes plásticas. Músicos nos tempos livres, viajam o país para contar as histórias do jacaré. O que começou como brincadeira entre amigos de secundário, desenvolveu-se num projeto sério e pronto a transformar a música portuguesa.

A banda formou-se em fins de Outubro de 2017. Exatamente um ano depois lançavam o seu primeiro disco Life Is Boring, onde o tema central é o aborrecimento da vida, mas ao mesmo tempo, afirmam os músicos, a atitude de saber lidar com isso (‘deal with it’ diz-nos Tiago). O quarteto desenvolveu a sua música e o seu estilo durante um ano, dando concertos dentro e fora de Barcelos. Em 2018, com as composições preparadas, dirigem-se a Leiria para gravar o álbum.

Crescidos em Barcelos, os Gator aproveitaram todo o cenário musical da zona para evoluir, nomeadamente a entreajuda entre músicos e as infraestruturas para o desenvolvimento musical. É todo um microuniverso musical que permite a evolução das bandas. Os músicos explicam que a cena musical funciona em ciclos: bandas como os Glockenwise antecedem os Gator, e são por si antecedidas por bandas como os Green Machine.

Life is Boring

O momento de realização foi no Be Land em Diapazão em Esposende, onde atuaram a 4 de Novembro de 2017. Sucede-se todo um efeito de bola-de-neve que leva o jacaré ao Festival Termómetro, onde atuam em anfiteatro e obtêm a melhor colocação entre as bandas portuguesas, sendo instantaneamente selecionados para a participação no Festival Bons Sons.

Vemos portanto, durante dois anos, a afirmação de Gator, The Alligator dentro do cenário músical português, que culmina com a sua atuação no palco Giacometti em Cem Soldos. Mas o grupo não fica por aqui. Já em Novembro deste ano passaram pelo Plano B no Porto e pelo Sabotage Club em Lisboa. Os rapazes de Barcelos tomaram de surpresa as grandes cidades, e há mais para vir.

'A nossa arte não é só música'

gator the alligator

Embora o grupo desenvolva a sua mensagem através da música, o projeto envolve toda uma viagem estética e conceptual. O jacaré requer atenção. Os membros defendem que as referências visuais são importantes para a afirmação da sua ‘marca’. Desde capas de álbuns, a t-shirts e posters, a mensagem precisa de ser trabalhada para além da música: «Quando fazes um álbum, há muita coisa que passa ao lado».

Representar o Gator requer um estilo de vida, e a atuação em palco é fundamental para a sua compreensão. O concerto é uma conversa com os fãs, com os ouvintes. Desta forma a banda destaca o concerto no Festival Bons Sons como um triunfo. Num palco relativamente calmo e habituado aos ouvintes sentados, os Gator conseguiram mobilizar as massas ao som da sua música

Portanto a realização do jacaré hiperativo não depende só da música. A mensagem é transmitida de diversas maneiras, desde a ilustração à escrita, ao vídeo e à imagem. A banda é o meio de transporte da mensagem. É um veículo de liberdade.

Os telediscos são uma componente importante, acabando por ser a representação visual da música. Assim se vê no videoclip do single YAYAYA, que entre tristeza e fantasia, entre realidade e animação, nos mostra o aborrecimento da vida, ao estilo Gator, The Alligator.

Onde andam os rapazes de Barcelos?

Com a tour do primeiro álbum a chegar ao fim, os músicos olham para o futuro. O novo álbum está a ser trabalhado sem pressas e com cabeça: 'O primeiro álbum é o que já viveste, o segundo fecha isso' comenta Eduardo. De facto, prometem que o sucessor de Life is Boring é mais planeado e menos improvisado.

O seu processo acaba por ser diferente: já sabem o que querem de cada música, estão a trabalhar o caminho para lá chegar. Revelam que é um álbum menos intuitivo e mais coeso. Não há data marcada nem promessas feitas, mas deverá surgir pela primeira metade de 2020. O grupo está otimista.

gator, the alligator live

Aproveitam também o tempo que têm para apresentar o Gator a outros países. Têm encontros já marcados em Espanha, na França e na Bélgica para 2020. É o resultado da música em língua inglesa sem dever nada a ninguém. A mensagem que transmitem é portuguesa mesmo que a língua não o seja. É a mesma mensagem que os portugueses passam há anos, desde Variações até aos Capitão Fausto. É no fundo, a mensagem de Life is Boring.


Podes ouvir Life Is Boring completo no Spotify.


Perfil traçado por Carolina Chora Alves, Daniel Moura Borges e José Pedro Horta. Fotografias por Headliner e Iolanda Pereira

20 de Novembro de 2019