d'alva

Os D’Alva são o pop sem fronteiras e sem preconceitos onde a diversidade e a amizade se traduzem num som incontornável e único.

D’Alva e Monteiro

Alex D’Alva Teixeira e Ben Monteiro têm 10 anos de diferença. O primeiro é produto dos anos 90, o segundo dos anos 80 – ambos cresceram na área de Lisboa. Formaram uma amizade que se fundamentou na música e na religião – ambos são filhos de pais protestantes – e hoje em dia têm um papel fundamental na produção de música em Portugal.

Os seus visuais e estilo único pode ser derivado da formação académica. Alex formou-se em artes performativas e Ben em artes gráficasTudo contribui para a experiência única que é a música, a presença e a performance dos D’Alva.

O grupo estreou-se em 2014 com o álbum “#batequebate” mas já se conhecem pessoalmente desde 2005, ano em que o Alex ajuda a organizar um festival na Moita em que o Ben e a sua banda foram convidados. Entre as duas datas deu-se o lançamento do EP de Alex “Não é um projecto”, que contou com Ben como produtor.

A amizade é fomentada pela abrangência dos gostos musicais de cada um que abrange desde metal ao pop de Michael Jackson ou Madonna, ou até mesmo das Spice Girls, e ainda toda uma amplitude de música do mundo, em especial dos países ligados à cultura portuguesa.

O duo lançou já um segundo álbum, “Maus Êxitos”, em 2018 e a produção mais recente é o single Física ou Química , de 2019. No entanto, ambos compõe e produzem música para outros artistas como Ana Bacalhau e Ana Cláudia, que concorreu no Festival da Canção 2019 com o tema dos D’Alva, “Inércia”. Além da sua presença na cena músical portuguesa o duo foi também responsável pela banda sonora do desfile do criador Luís Carvalho no ModaLisboa. O Ben tem também a liberdade de fazer produção para publicidade e dar aulas na Etic, em Lisboa.

 

dalva

Raízes improváveis

Os dois membros têm raizes religiosas: o pai de Ben era ministro e os pais do Alex eram missionários. Foi na igreja que entraram em contacto direto com a música e com a performance ao vivo e foi lá que aprenderam a tocar.

Noiserv Vera Marmelo

O grupo cresceu na fé protestante e afirma que ainda hoje essas raízes têm impacto na sua música. De facto, o seu relacionamento deu-se primeiro através de um amigo na igreja, e o seu primeiro contacto, ainda antes do festival, foi no ICMAV.

O tipo de música presente na igreja protestante diverge do da católica. Os coros e os coretos estão presentes, mas os instrumentos de banda substituiem o orgão da missa. Ben e Alex adquiriram as primerias noções sobre estilos de música neste contexto religioso.

Até na estrutura melódica a influência se nota, e sente-se uma aproximação ao pop. O duo argumenta que as musicas que se tocam na igreja têm de ter uma forma simples e intuitiva. Agora, com estruturas mais desenvolvidas e trabalhadas, admitem que algumas das suas musicas aludem a isso, mas que mesmo essas são mais complicadas do que as músicas de igreja.

“O que fazemos é pop, ponto final”

Estas raízes protestantes levaram a um maior aprezo pela diversidade musical e pela curiosidade musical. Hoje o grupo trabalha com todo o empenho e sem fronteiras musicais, sentido-se tão confortáveis em escrever e produzir para Ana Bacalhau e Ana Cláudia como colaborando com Sir Scratch.

Defendem que boas canções existem em todos os géneros e que os artistas não se deviam limitar a um niche, embora seja verdade que às vezes os artistas possam ficar presos a um certo estilo de música e a um certo público. Por isso escolheram o pop como área de trabalho, embora admitam que desde o início se sentem no limbo entre a música alternativa e o pop. Aqui podem colaborar com todos os artistas e abordar diversas áreas, desde a música alternativa, ao rap, à música pesada ou até à música tradicional

A diversidade musical dos membros manifesta-se também de outras formas. O trabalho de Ben na produção musical para publicidade permite-o trabalhar com géneros diferentes. A sua presença em concerto também é bastante variada. Ora parece que estão a dar um concerto de hardcore, ora passam para um estilo R&B ou para uma onda alternativa. Os rótulos não são coisa que lhes interesse e no universo quase infindável de estilos musicais que existe hoje há espaço para tudo. Até talvez para colaborações com artistas dos PALOPs e do Brasil, culturas em que o grupo tem grande interesse.

dalva

Sempre a crescer

A banda já teve vários momentos em alta: quando o disco saiu o concerto no Musicbox encheu a casa; já participaram em diversos festivais comerciais: no Nos Alive, no Superbock Superrock, no Nos Em Debandada no Porto; bem como no Bons Sons e no Festival da Canção como compositores. Mas apontam alguma carência no apoio à cultura em Portugal e na disposição da população face à cultura.

Como cantam em português a influência internacional é limitada, mas o duo sente que ainda tem muito para fazer em Portugal e mesmo noutros países de língua portuguesa. Admitem: “Tão cedo não nos vêem a atirar a toalha branca ao chão”


Podes ouvir Maus Êxitos no Spotify:


Perfil traçado por Carolina Chora Alves, Daniel Moura Borges, José Pedro Horta. Fotografias por Vera Marmelo @ V-Miopia e PedroMKK

20 de Abril de 2020