CELSO banda

Pedro, 24 anos, nascido e criado em Odivelas, é conhecido como Chapz no mundo da música. Um homem de todos os ofícios, capaz de atuar diante do microfone ou da mesa de mistura, escreve, produz, rima e faz ainda mais do que isto.

A música surgiu numa fase mais problemática da sua vida, foi um “escape” muito importante e positivo para o artista, recorrendo à mesma em fases mais complicadas, sendo essas mesmas dificuldades uma forte motivação para criar, “mete o teu foco noutro lado, acaba por te ajudar a lidar com certos problemas (…) é o meu processo criativo.”

Desde a tenra idade ligado ao hip-hop, pelos fios dos headphones no mp3 que tinha, onde tocava Eminem, 50 Cent e muitos outros, criando o interesse desde a sua juventude, chegando também a Boss AC, Sam The Kid. Porém, a sua entrada na música começou com a guitarra aos sete anos, seguido do baixo, com aulas, muito tempo de treino e uma banda também, algo marcante na sua vida.

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Raízes

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Começou a escrever músicas aos dezasseis e começou a gravar pouco depois. “Tinha umas letras escritas e tinha curiosidade de gravar (…) foi uma altura que comecei a ouvir mais hip-hop (…) e com o meu primeiro trabalho lembro-me de começar a comprar material para casa e comecei a gravar aí.” A compra do material foi uma momento chave, “começou a ocupar muito do meu tempo e vi que queria levar isso muito mais a sério.”

A internet foi chave na sua aprendizagem autónoma musical, aliada mais tarde ao curso de sound design que tirou, motivado para aumentar os seus conhecimentos com o equipamento que já tinha adquirido, expandido os horizontes das suas capacidades para além do seu estilo e da sua zona de conforto, “hoje em dia, gravo as minhas cenas, de outras pessoas, gravo o meu estilo, gravo outros estilos”. O curso alargou o conhecimento técnico do que a autoaprendizagem lhe trouxe, entendendo o “porquê dos processos” e “abrir a mente” para competências em televisão, rádio e muito mais.

Raízes

A música não é sustento ainda, possibilitando alguns ganhos com beats, mistura e masterização, apesar da perda do estúdio onde trabalhava devido à pandemia e a impossibilidade de gravar presencialmente com outros artistas, “tem que ser sempre uma ocupação secundária pelo menos até teres um estúdio bem equipado e ganhes o teu nome”. Contudo, não deixa de ser a sua prioridade, “mal tenha o meu dinheiro, é ali que quero investir.” Faz parte do grupo de rap Drunkcore Crew, onde grava, produz e edita toda a música da sua autoria, que conta com um álbum lançado, “Bactéria Prima”, em 2019.

De momento, Chapz trabalha unicamente com hip-hop, apesar de ter trabalhado com outros estilos musicais no passado, principalmente durante o seu tempo do curso. O hip-hop mais underground onde se movimenta é para si um “mercado um pouco fechado” que tem dificuldades de ganhar mais exposição em Portugal. O seu portefólio já é alargado, tanto na produção como a gravar, com vários artistas no seu registo de colaborações, desde Lucy, Boogie Steez, Vorm, entre outros. Os seus círculos de trabalho variam, “depende das pessoas que chegam até mim”, com vários artistas a inquirir por masterizações, edições e gravações.

O trabalho tem sido imenso, está a preparar dois álbuns e ainda mais EP´s, com videoclipes e artwork na agenda também, adiados pela pandemia, mas o som tem progredido bastante e muita música está na calha. Com o microfone na mão ou no estúdio, Chapz marca cada vez mais a sua presença no panorama do hip-hop underground nacional, sem mostrar sinais de abrandar.

 

celso banda

Perfil traçado por Carolina Chora Alves, Daniel Moura Borges e José Pedro Horta. Fotografias por Chapz.

20 de Junho de 2021