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Os sons eletrizantes de uma juventude pensada juntaram-se a um rapaz com uma guitarra e ‘mui nobres intenções’ para trazer bonança à música portuguesa.

Bonança, Ricardo Barroso

Ricardo Barroso é Bonança e não Bonanza, afastando o seu nome da clássica série western americana para o aproximar à língua portuguesa, que utiliza para escrever canções de desgosto e juventude, publicadas no EP Mui Nobres Intenções em 2020.

Barroso, como é conhecido entre os amigos, nasceu e cresceu em Massamá Norte mas vive em Lisboa, onde se licenciou em Ciências da Comunicação na Universidade Nova no ano passado, depois de um semestre infrutífero no Instituto Superior Técnico. Teve aulas de piano enquanto criança e guitarra enquanto adolescente, rapidamente marcando o seu próprio percurso artístico e musical com o interesse pelo teatro.

De momento está a fazer um curso de um ano sobre música eletrónica na Etic, já que a possibilidade de um mestrado em música em Londres foi cortada pela pandemia.

A primeira experiência de palco foi no secundário, quando representou Anthony, um dos papéis principais na produção da escola secundária do musical Sweeney Todd, onde descobriu o gosto pela presença de palco e pela performance artística. “Foi a primeira vez que subi a um palco desde a pré-primária,” comenta Barroso. “Essa peça mudou-me a perspetiva. Percebi que estar em palco é fixe e que gostava da sensação de liberdade.”

Vida de palco

Ricardo Barroso não é estranho a palcos. Desde a sua performance teatro-musical no secundário que tem participado em vários concertos na área de Lisboa e arredores, nem sempre como Bonança. No seu primeiro ano de faculdade participou no programa The Voice, como Ricardo Barroso, um primeiro contacto com o mundo do espetáculo e com a indústria musical portuguesa. “Foi giro. Foi toda uma outra experiência, é interessante ver aquele mundo por detrás. Mas também não é glamoroso, é um bocado duro,” comenta. “É sempre bom lembrar isso, porque foi um momento essencial para olhar para aquilo que sou e aquilo que faço e para aquilo que quero fazer enquanto artista.”

Passou pelo Popular Alvalade na final do concurso de Novos Talentos da Universidade Nova, como membro da banda de Rodrigo Cardoso e também pelo Casino do Estoril no ADSUMUS, onde tocou tanto em nome próprio como parte do projeto Querubim.

 

“É diferente estar em palco enquanto cabeça de um projeto ou enquanto guitarrista de um projeto e também enquanto ator. São vivências diferentes que dão para aprendizagens diferentes,” diz. “Eu gosto muito de dirigir o meu projeto e ao mesmo tempo ser músico para outras pessoas”. E assim se liga a arte para Bonança, de forma fluida e aberta, sem barreiras, procurando aprender o máximo possível. “As artes não se fazem só se fechando sobre si próprias. É ridículo fazer música só a pensar em música. É infrutífero, pouco produtivo e limitativo”.

“Quero que a música seja parte da minha vida”

Bonança nasce depois de Ricardo Barroso mas também com ele. O nome foi retirado das instalações abandonadas de uma antiga seguradora em Torres Novas, numa foto que mais tarde foi usada como capa de “Há Demasiadas Marias”, o primeiro single publicado pelo artista para concorrer aos Novos Talentos FNAC em 2018.

“Há medida que os anos vão passando vou me apercebendo que realmente foi uma sorte ter-me cruzado com a palavra Bonança. É uma palavra com um tom melancólico e pesado. Uma palavra que já tem uma herança.”

A música de Bonança é pessoal, focando-se em temas de juventude, desgosto e crescimento. “Eu quero pôr as coisas cá para fora. Sinto que tenho coisas para pôr cá para fora, nem que seja num sentido terapêutico, para ver se não expludo.”

2019 foi o ano em que começou a compor e produzir de forma mais consistente, com o lançamento da música Porcelana e da organização do EP “Mui Nobres Intenções”, que só saiu em 2020 devido à falta de experiência na produção musical.

Música entre amigos

A falta de experiência na produção levou a uma procura externa que se concretizou quando Bonança se juntou à label Bait Records do seu amigo Luís Pita em 2020. Numa tentativa de desenvolver a música entre amigos, a estética de Bonança foi também evoluindo com a ajuda de amigos que produzem e compõem música.

Barroso destaca a ajuda de Metamito, nome de palco de António Miguel, que ajudou na produção do EP, tentando criar uma coerência conceptual e estética na linha musical de Bonança. “Fui tentando ajudar no que pude, mas em grande parte foi muito mérito dele de mexer no som e fazê-lo chegar ao nível a que chegou.”

 

Entre os amigos estão também Rodrigo Cardoso, conhecido como Querubim, e António Fortunato, que integra este mesmo projeto, os mesmos amigos que tocaram no ADSUMUS, no Casino do Estoril.


Podes ouvir Mui Nobres Intenções no Spotify:


Perfil traçado por Carolina Chora Alves, Daniel Moura Borges, e José Pedro Horta.

20 de Abril de 2021