baskiat rapper

Baskiat faz parte dos Drunkcore Krew e conhece a alma do rap de Lisboa. Lançou este mês o single "MonteKristo".

De Odivelas para o resto do mundo

Baskiat sempre teve o “bicho do hip-hop” dentro de si, que tem vindo a crescer em algo muito maior que isso, com uma missão de levar a sua visão e a sua crew para o resto do mundo. O nome artístico não tem nada que enganar, desde jovem que o artista sentiu uma ligação e uma admiração pelo pintor que ilustrou a luta pelos direitos humanos com uma expressão muito original, características que levaram Baskiat a querer homenagear o seu homónimo.

Um pouco aqui e pouco acolá são as bases e as aprendizagens “formais” que Baskiat apanhou ao longo dos seus 23 anos, olhando para os interesses conectáveis ao hip-hop. Começou por cinema para ter um input nos seus clips e na ótica da sua música, passando para o sound design, para solidificar a construção e compreensão da mesma, até ao mundo da tatuagem, que o próprio exerceu como profissão, sendo um aficionado da arte na pele humana.

O foco no hip-hop era uma constante, mas só no último ano é que se tornou algo a 100% e se tudo seguir como planeado, sem reduzir. Desde os 7-8 anos começou o contacto direto com o mundo das rimas e batidas, com uma ligação curiosa que vem pelo basquetebol e pelo franchise mais popular do desporto, a NBA. Uma cópia do videojogo americano chegou a um jovem Baskiat, com uma banda sonora repleta de sonoridades do hip-hop, encantando-o instantaneamente e trazendo-o para um mundo no qual passou de espetador a jogador.

O seu pai, que lhe ofereceu o jogo, também facilitou a aproximação direta ao mundo da música. Sendo o próprio um artista, disponibilizou vários instrumentos e equipamento de gravação ao filho, que aproveitou para estimular o interesse musical.

As letras vêm quase sempre do contacto próximo, do dia-a-dia, seja pelas vivências do próprio ou daqueles que o rodeiam, focando-se sempre no real e no verdadeiro, mas sem fechar a porta a alguma expansão e imaginação, “saindo da caixa o máximo possível”.

A primeira mixtape, “O.D.R”, foi um projeto de descoberta do próprio, que Baskiat ainda sente muito próximo de si e da fase musical que está a passar nesta fase inicial. Contudo, algo mais “cru” que permitiu criar bases para o projeto que está a desenvolver, mais definitivo e um passo em frente no seu trajeto enquanto artista. O último single lançado a solo até ao momento, “I” é um momento de orgulho para o artista, na antevisão do novo álbum que lhe traz entusiasmo e otimismo.

“A minha referência nacional é só uma: os Drunkcore Krew”

A crew “importa tudo” para o Baskiat. Os melhores amigos, as pessoas de confiança e onde sempre vai buscar o feedback para os seus sons. A ligação é muito forte entre os membros, fazendo jus ao termo “Crew”, que têm todos “skills fora do comum”, cada um a contribuir para a evolução do grupo que aponta para bem mais alto que o conceito de “underground”.

Os Drunkcore são compostos por Baskiat, Chapz, Johny e Óssio, com mais membros associados e afiliados, numa “família” com uma ligação forte e com muito talento em diversos planos que dão uma dimensão mais rica e profunda à música que lançam.

Em 2019 os “Drunkcore” lançam o EP Bactéria Prima, com colaborações de outros artistas. Contudo, existe novo projeto no horizonte, com o primeiro single do novo álbum, “Monte Cristo”.

No mundo do rap ninguém é “imune” ao trabalho dos seus colegas. No caso de Baskiat, a Griselda Records é um ponto de referência, os artistas da discográfica de Buffalo, Nova Iorque, estão a ganhar tração nos Estados Unidos, contando com nomes como Benny the Butcher e Conway The Rapper, inspirando a alma artística do rapper, de tal modo que já utilizou vários beats do grupo para os seus trabalhos.

Começar a escrever é no estúdio, onde a magia acontece, como se fosse um “habitat natural” para o Baskiat, rodeado de beats de alto nível e que o próprio tem na mais alta consideração, cortesia do colega da sua crew, Chapz, o produtor dos Drunkcore. A produção ainda é uma novidade para o Baskiat, que não é entendido no assunto, mas é rodeado de beats que lhe aguçam a curiosidade.

Muita música por sair e muita vontade de a mostrar

Até ao fim de 2020, iremos ver bem mais Baskiat, com o primeiro álbum “praticamente finalizado” e muita música para sair em breve.

Nome de pintor e formação em cinema mostram aquilo que é o interesse pela imagem e a estética do rapper, rodeado de pessoas com grande talento e que estão alinhados consigo na visão artística. Os clipes são o elemento chave, dando uma dimensão extra ao som e também facilitando a promoção dos mesmos, a arte e a promoção da mesma na visualidade. “O mais importante é que ouçam a tua música”.

As experiências em palco foram quase sempre positivas, mas o “Crew Hassan” é a casa preferida até agora para Baskiat, destacando o último concerto dos Drunkcore, ainda em 2019.


Podes ouvir MonteKristo no Youtube:


Perfil traçado por Carolina Chora Alves, Daniel Moura Borges, e José Pedro Horta. Fotografia por Diogo Rodrigues (Óssio).

28 de Setembro de 2020